Português para concursos
“Remédios” é paroxítona ou proparoxítona? Veja como decidir na prova
Você aprende que uma palavra é paroxítona terminada em ditongo e depois encontra a classificação “proparoxítona eventual”. Mudou a regra? A dúvida aparece em uma discussão pública no r/concursospublicos, em que candidatos tentam entender essa segunda análise. A conversa ajuda a identificar a dificuldade; a resposta precisa vir da explicação gramatical e dos documentos da prova.
Em palavras como “remédios”, duas análises da sequência final podem fundamentar o acento. Isso já foi aceito em itens do CESPE/Cebraspe. O cuidado é entender a divisão silábica pressuposta e o que o enunciado afirma, em vez de substituir uma classificação por outra em qualquer situação.
1. Separe a posição da tônica da forma de dividir as sílabas
Na divisão re-mé-dios, a sílaba forte é “mé”, a penúltima. A palavra é paroxítona terminada em ditongo crescente. Na análise re-mé-di-os, essa mesma sílaba forte passa a ser a antepenúltima: daí a classificação como proparoxítona eventual ou aparente.
Observe o detalhe: o acento continua no mesmo lugar. A segunda explicação não manda pronunciar outra sílaba com mais força. Ela trabalha com outra análise do encontro vocálico final.
A explicação do Estratégia sobre proparoxítonas aparentes apresenta essa possibilidade com “história”: his-tó-ria e his-tó-ri-a. A primeira análise trata a terminação como ditongo crescente; a segunda, separando-a, resulta em proparoxítona.
2. Não transforme qualquer ditongo em proparoxítona eventual
O recorte envolve determinadas sequências finais átonas habitualmente tratadas como ditongos crescentes. Não é uma permissão para separar qualquer encontro vocálico conforme a alternativa desejada.
O Estratégia distingue esse caso das terminações em ditongo decrescente, como “amáveis” e “fáceis”. Portanto, antes de aplicar a segunda análise, identifique o encontro vocálico envolvido. O material sobre acentuação gráfica também apresenta as proparoxítonas aparentes e as sequências a que a classificação se refere.
3. Repare no “pode” do enunciado
Um item que admite duas justificativas não está afirmando que apenas uma delas existe. Essa diferença de comando é decisiva nos dois casos reais abaixo. Tente julgá-los antes de abrir o comentário e depois confira os documentos oficiais.
Questão real 1 — STF, 2013
CESPE/UnB; STF; Analista Judiciário, área Apoio Especializado, especialidade Revisão de Texto; nível superior; aplicação em 15/12/2013; caderno STF13_008_17; item 54; primeira página do PDF, página impressa 4.
O emprego do acento gráfico em “remédios” pode ser justificado com base em duas regras distintas de acentuação.
Ver gabarito definitivo e comentário
Certo. O item admite duas justificativas. Pela análise re-mé-dios, aplica-se a acentuação da paroxítona terminada em ditongo crescente; pela análise re-mé-di-os, a palavra se enquadra como proparoxítona eventual. A resposta não exige abandonar a classificação tradicional. O erro seria rejeitar a possibilidade alternativa apenas porque se aprendeu primeiro a análise como paroxítona.
Enunciado oficial · Gabarito oficial definitivo, item 54.
Questão real 2 — TRF da 1ª Região, 2017
CESPE/Cebraspe; TRF1; Analista Judiciário, área Apoio Especializado, especialidade Taquigrafia; nível superior; aplicação em 26/11/2017; caderno 355_TRF1_004_01; item 91; quarta página do PDF.
Em síntese, o item pergunta se o acento de “memória” admite duas regras de justificação. Esta é uma paráfrase; o enunciado integral está no documento da banca.
Ver gabarito definitivo e comentário
Certo. Em me-mó-ria, a sílaba “mó” é a penúltima, com ditongo crescente no final. Em me-mó-ri-a, a mesma tônica ocupa a antepenúltima posição, sustentando a análise como proparoxítona eventual. O gabarito confirma a possibilidade no item apresentado, não uma regra para reclassificar toda palavra acentuada.
Enunciado oficial · Gabarito oficial definitivo, item 91.
4. Diferencie uma ocorrência comprovada de uma regra sobre a banca
Esses dois itens mostram que o CESPE/Cebraspe admitiu as duas justificativas nesses casos. Eles não demonstram que a CESGRANRIO, a FGV ou a VUNESP rejeitam essa análise. Para afirmar uma divergência, seria necessário comparar comandos equivalentes e os respectivos gabaritos definitivos. Comentário de fórum ou nome da banca associado a uma questão sem procedência não resolve essa comparação.
5. Leve um procedimento curto para a próxima questão
Marque a sílaba tônica; confira a divisão silábica e o tipo de encontro final; identifique se o comando pede uma classificação ou admite mais de uma justificativa. Só então confronte a afirmação com a regra. Se as alternativas parecerem incompatíveis, procure o caderno e o gabarito definitivo antes de concluir que “a banca mudou a gramática”.
O ponto a guardar é concreto: nas duas questões comentadas, reconhecer a análise alternativa permite aceitar a possibilidade afirmada pelo enunciado, preservando a explicação como paroxítona terminada em ditongo crescente.
Fontes para consultar
Base pedagógica: Estratégia Concursos, Acentuação gráfica para o concurso INSS, seção “Proparoxítonas aparentes ou eventuais”; e Bárbara Aparecida Rocha, Acentuação gráfica, seção sobre proparoxítonas. Questões e respostas: documentos oficiais do STF/2013 e TRF1/2017 vinculados em cada comentário. Consulta em 24 out. 2026.